Meu avô faleceu esta madrugada...
É louco pensar sobre a sina de cada qual.
A dor que é bagagem única do acervo existencial de cada um...
Meu avô faleceu esta madrugada...
Cego, uma perna paralítica, se alimentando por meio de uma sonda, sem prazer algum, nem mesmo de cantar.
Aliás sua nobre arte!
Era portador de uma das vozes mais bonitas que já ouvi.
Meu avô faleceu esta madrugada...
Partiu um dos ilustres desconhecidos do saber popular.
Sebastião Claúdio da Silva: um dos grandes cantadores de moda de viola que animavam as festas das roças de cana de açúcar, de algodão e laranja do interior paulista nas décadas de 40/50/60.
Meu avô faleceu esta madrugada...
Calou sua viola, sua gaita, sua voz e cavaquinho quando já nos idos de 80 faleceu, o seu pareia de cantoria, meu tio avô Augusto Lopes, cantador de moda e tocador de sanfona. Depois que veio
morar com agente, as vezes na solidão da madrugada eu pegava ele lembrando versos, quadras, cantarolando..."a mulher do Jangadeiro, é jangadeira tamem... Ela luta cum a vida pra trazê cumida, prus fio que tem"...
"Eu não sou marinheiro de primeira viagem,
Eu não sou trem cargueiro que carrega carruage"...
Meu avô faleceu esta madrugada...
Mas não gostava de ensinar, depois da cegueira perdeu o sentido da vida, sistemático, pra aprender alguma coisa só uma vez, de ouvido e sem ele perceber que tinha alguem ouvindo, percebendo já parava logo.
Meu avô faleceu esta madrugada...
Ficaram as boas lembranças, das suas sempre aconchegantes casas (como todo pobre que sai da roça pra ir pra periferia das cidades, viveu em muitas). Sempre perto de alguma lagoa, onde adorava nos ensinar a nadar. Entrava sempre primeiro, vasculhava o fundo e anunciava onde estavam, caso houvessem buracos, marcava os limites e depois liberava a netaiada pra brincar.
As vezes ficava tocando sua gaita e nos observando.
"Que tempo bom, que não volta nunca mais"...
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
vivemos, logo sentimos de Mariana Maia
********************************************** 09/06/2011
parece tensão, mas já dura dias...
parece insegurança
parece desamor
excesso de amor
parece doença da alma
mas meu coração dói, dói muito
cada dia mais
cada instante sem reservas
dói pelo meu amor que não chega
de medo do mundo
de compaixão aos miseráveis
dói por minha imobilidade
dói de frio
de chuva também
minha alma sente a perda de amigos
de entes que já partiram
minha alma machuca com o gozo que sai de mim
toda ela comporta o mundo,
mas meu corpo não suporta
não suporto o peso da minha alma.
********************************************** 05/06/2011
Na diferença se conhece o outro nela se sofre, respeita e silencia.
Isso se chama alteridade.
Na semelhança se ama, identifica-se, se é feliz e se une.
Enquanto humanos vivemos contraditoriamente ambas situações, lutamos interna e externamente contra nós e o outro.
Ora se silencia, ora se une.
Agora ofereço meu silêncio
e exaustivamente procuro o que me une.
parece tensão, mas já dura dias...
parece insegurança
parece desamor
excesso de amor
parece doença da alma
mas meu coração dói, dói muito
cada dia mais
cada instante sem reservas
dói pelo meu amor que não chega
de medo do mundo
de compaixão aos miseráveis
dói por minha imobilidade
dói de frio
de chuva também
minha alma sente a perda de amigos
de entes que já partiram
minha alma machuca com o gozo que sai de mim
toda ela comporta o mundo,
mas meu corpo não suporta
não suporto o peso da minha alma.
********************************************** 05/06/2011
Na diferença se conhece o outro nela se sofre, respeita e silencia.
Isso se chama alteridade.
Na semelhança se ama, identifica-se, se é feliz e se une.
Enquanto humanos vivemos contraditoriamente ambas situações, lutamos interna e externamente contra nós e o outro.
Ora se silencia, ora se une.
Agora ofereço meu silêncio
e exaustivamente procuro o que me une.
BATUQUE de Carla Natureza
Bate no baque do batuque
a batida do coração
na pele pelada do tambor
elevo minha vocação
peço força ao Deus negro
e também a proteção
Pra viver nesse Brasil
sem a discriminação
vou lutando com mandinga
Resgatando a tradição
de um povo africano
que compôs essa nação
nação que canta e dança
luta com a própria mão
mão forte e calejada
que estende ao seu irmão
salve salve camará
essa é minh' opinião...
a batida do coração
na pele pelada do tambor
elevo minha vocação
peço força ao Deus negro
e também a proteção
Pra viver nesse Brasil
sem a discriminação
vou lutando com mandinga
Resgatando a tradição
de um povo africano
que compôs essa nação
nação que canta e dança
luta com a própria mão
mão forte e calejada
que estende ao seu irmão
salve salve camará
essa é minh' opinião...
Bosqueto de Jota Miranda
torrões auriverdes
Eis que fui ter comigo e me apercebi aos torrões d'aço sorrateiramente postos aos meus pulsos, como quem, em delírio, roga favores na turva desconhecida, por comedimento ou moralidade.
No entanto, quando me ative em mim mais que nada, notei outro torrão, que outrora até me foi leve mas que hoje me retém pressão atmosférica de uns cinco céus em aleivosia, com pecados públicos, e oceanos densos e negros acondicionados em barris impudicos: uma tal de responsabilidade.
Mas eu não pedi nem pra nascer!
telescópios sofisticados perscrutam o céu
Telescópios sofisticadíssimos perscrutam a vida alheia.
Telescópios sapientes varrem as mentes cósmicas da gen-tê.
E se me permite quebrar novamente a métrica dormente
Eis que lhe sobra o protocolo meu da gente, eu, telescópio pungente.
AINDA RESTA INFINDA ESPERANÇA
Num tom melancólico e despercebido, quase num solilóquio, esbraveja a chuva denegrida em abafados rumores de desdém.
Essa chuva que varre o planeta carrega tristes os olhos, confusa e inimaginavelmente diluidos em água.
Trás consigo o desamor com que regamos uns aos outros, tal qual pesticidas em plantações de pé-de-que. A quem queremos destruir?
Mas a chuva é sábia e mais que triste. Sugere a algarvia um mergulho, profundo, em suas brandas águas, das mais diversas.
- vamos numa viagem ao fundo do meu infindo oceano d'águas. Precisamos todos, afinal, dum esquecimento dest'mundo.
descompassada gira a terra
sada a terra gira descompas
ssada a terra gira descompa
assada a terra gira descomp
passada a terra gira descom
mpassada a terra gira desco
ompassada a terra gira desc
compassada a terra gira des
scompassada a terra gira de
escompassada a terra gira d
descompassada gira a terra.
no quê tropeço e no esse ataco
Que desacata a gente, que é revelia.
Que à revelia nos julga, e nós na surdez a catar
Catar num copo de bebida vida vazia, turva rebeldia
Donde desfecha e desfila, rebelde desconhecida?!
Donde se fecha e revida, vivaz quão descomedida?!
Eis que feliz se faz e esmorece cá no poema-pílula
A antes irresoluta e trôpega alma, que em derredor
Se encontrou decidida, categórica e necessária.
Pequenos percepções de Érica Giesbrecht
Entre chuvas, bodhráns, batatas, Guiness, católicos, protestantes e o inglês temperado com pouco sal dos nossos queridos Nothen Irishes, nós do Urucungos nos deliciamos com a hospitalidade e a gentileza daquela terra.
Um ar limpo, fresco e muito úmido cerca tudo. Um pais verde, verde, verde (as folhas das árvores, seus troncos, suas raízes, a cerca, a calçada...) afinal de contas a chuva não dá uma trégua. O escândalo das flores pra todos os cantos. Transito civilizado, ruas limpas (menos nos fins de semana, quando a galera chapa o coco e larga garrafas, comida e amigos vomitando na calçada), caixa eletrônico exposto no meio da rua.
Gente ruiva e loira, de pele muito branca, de olhos azuis, admirando nossos olhos castanhos e negros. Meninas aproveitando a "primavera", pra colocar sainhas curtas e ir dançar nos night clubs. O jeito de andar é inconfundível: como se algo empurrasse suas costas pra frente, braços balançando, pernas marchando e nada de molejo. Será que a chuva acelerou o passo das irlandesas?
Muita gente via brasileiros pela primeira vez: pensem, num pais marcado por um conflito civil por séculos, vamos concordar que não se trata de um destino turístico muito atrativo, certo? Não há muitos estrangeiros em Belfast. Quem seria louco de visitar ou ir morar num pais em guerra? Não há uma "Avenue des Champs-Élysées" como em ParIs ou um "Convent Garden Square" como em Londres, onde se concentram as melhores marcas do mundo (Prada, Yves Saint Laurent, Dolce & Gabbana, etc). Quem seria louco de investir num prédio ou numa loja luxuosa sob o risco de tudo ir pelos ares?

Belfast, com 300 mil habitantes (menos gente do que em Franca - SP) mal parece uma capital européia. Um museu e um teatro de ópera acabam de ser reabertos depois de reformas. Há apenas um multiplex e um teatro para concertos. O risco de atentados fez baixarem uma lei proibindo aglomerações. Passados dez anos, a cidade começa a se reconstruir e respirar.
Mas então o que há de tão encantador lá? Vamos começar com os pubs históricos, como o The Crown ou o Duke of York. Próximos ao Hotel Europa - que por muitos anos hospedou embaixadores e figuras importantes sendo por isso um alvo para os ataques do IRA - guardam uma atmosfera, de história de lutas, de desejos pelos direitos e pela liberdade. Foram reconstruídos várias vezes e é louco pensar que ali beberam católicos enquanto planejavam sua libertação.

Tem também o Mercado Saint George. Um dos meus lugares preferidos. Talvez o canto mais cosmopolita da provinciana Belfast. Comida e temperos da China, Índia, França, Itália, Paquistão, Grécia e, é claro, produtores rurais da Irlanda do Norte.
Essa cidade também jorra música celta. Legado cultural proibido durante os anos do conflito (The troubled years) agora passa a ser reapropriado por Irlandeses católicos ou protestantes. Como uma herança do povo irlandês, agora não mais coisa de católico, passa a ser ensinada das escolas, soa nos pubs, nas feiras livres, nos concertos públicos.
Assim como a música, as crianças da Irlanda, em seus lindos uniformes que lembram os meninos do Harry Potter, passaram a aprender a língua e o sapateado irlandês na escola.
Poderia divagar em percepções por muito mais tempo, mas creio que por ora o leitor já esteja querendo ler outras matérias, já esteja satisfeito do gostinho da Irlanda do Norte.
Slán agaibh
(adeus pra quem fica)
Um ar limpo, fresco e muito úmido cerca tudo. Um pais verde, verde, verde (as folhas das árvores, seus troncos, suas raízes, a cerca, a calçada...) afinal de contas a chuva não dá uma trégua. O escândalo das flores pra todos os cantos. Transito civilizado, ruas limpas (menos nos fins de semana, quando a galera chapa o coco e larga garrafas, comida e amigos vomitando na calçada), caixa eletrônico exposto no meio da rua.
Gente ruiva e loira, de pele muito branca, de olhos azuis, admirando nossos olhos castanhos e negros. Meninas aproveitando a "primavera", pra colocar sainhas curtas e ir dançar nos night clubs. O jeito de andar é inconfundível: como se algo empurrasse suas costas pra frente, braços balançando, pernas marchando e nada de molejo. Será que a chuva acelerou o passo das irlandesas?
Muita gente via brasileiros pela primeira vez: pensem, num pais marcado por um conflito civil por séculos, vamos concordar que não se trata de um destino turístico muito atrativo, certo? Não há muitos estrangeiros em Belfast. Quem seria louco de visitar ou ir morar num pais em guerra? Não há uma "Avenue des Champs-Élysées" como em ParIs ou um "Convent Garden Square" como em Londres, onde se concentram as melhores marcas do mundo (Prada, Yves Saint Laurent, Dolce & Gabbana, etc). Quem seria louco de investir num prédio ou numa loja luxuosa sob o risco de tudo ir pelos ares?
Belfast, com 300 mil habitantes (menos gente do que em Franca - SP) mal parece uma capital européia. Um museu e um teatro de ópera acabam de ser reabertos depois de reformas. Há apenas um multiplex e um teatro para concertos. O risco de atentados fez baixarem uma lei proibindo aglomerações. Passados dez anos, a cidade começa a se reconstruir e respirar.
Mas então o que há de tão encantador lá? Vamos começar com os pubs históricos, como o The Crown ou o Duke of York. Próximos ao Hotel Europa - que por muitos anos hospedou embaixadores e figuras importantes sendo por isso um alvo para os ataques do IRA - guardam uma atmosfera, de história de lutas, de desejos pelos direitos e pela liberdade. Foram reconstruídos várias vezes e é louco pensar que ali beberam católicos enquanto planejavam sua libertação.

Tem também o Mercado Saint George. Um dos meus lugares preferidos. Talvez o canto mais cosmopolita da provinciana Belfast. Comida e temperos da China, Índia, França, Itália, Paquistão, Grécia e, é claro, produtores rurais da Irlanda do Norte.
Essa cidade também jorra música celta. Legado cultural proibido durante os anos do conflito (The troubled years) agora passa a ser reapropriado por Irlandeses católicos ou protestantes. Como uma herança do povo irlandês, agora não mais coisa de católico, passa a ser ensinada das escolas, soa nos pubs, nas feiras livres, nos concertos públicos.
Assim como a música, as crianças da Irlanda, em seus lindos uniformes que lembram os meninos do Harry Potter, passaram a aprender a língua e o sapateado irlandês na escola.
Poderia divagar em percepções por muito mais tempo, mas creio que por ora o leitor já esteja querendo ler outras matérias, já esteja satisfeito do gostinho da Irlanda do Norte.
Slán agaibh
(adeus pra quem fica)
UMA CARTA AOS AMIGOS ... de Nil Sena
SALVE A TODOS E SALVE AS ALMAS''como diz os preto velhos''. Chegamos muito bem aqui na Irlanda e estamos todos bem felizes, nunca vi tão bela arquitetura e tantas flores, sem falar nas figuras cinematográficas com seus cinematográficos nomes ''ingreine, ashland, gordon, etc''', logo que chegamos em Dublin (Irlanda do Sul) fomos apanhados pela Suzel, (a pesquisadora que nos convidou) para chegarmos à esta Irlanda onde estamos que è a do Norte, cuja capital è Belfast (onde me encontro agora escrevendo, num apartamento na mesma rua da Queens University, onde ministraremos oficinas na próxima semana) no trajeto a Suzel foi nos mostrar um monumento dentro de um cemitério também monumental, é uma obra dos povos celtas que viveram aquí e guerreavam com os Vikings , é uma cruz de pedra, com cerca de 3m de altura e que foi construída no ano de 800(É ISSO MESMO, OITOCENTOS) aliás lá também tem uma torre de pedra também altíssima, 20m de altura e uns tantos de diâmetro, esta torre é onde os celtas se abrigavam para esconderem-se dos Vikings.
Maninhas e maninhos do MARACATUCÀ já troquei ideias com uns manos do maracatú daqui, um cara vestia a camiseta da NACAO PORTO RICO''pode''??
Eles não têm a dança ainda e ficaram felizes porque eu ensinei alguns passos básicos pra eles, Glória e Newtao, os manos tocam pra caraca, já receberam o mestre Chacom, mestre Afonso e o pessoal da Chambá e agora o Maracatú Cambinda Velha com a gente, ''saíram na frente, olha aí''. Poxa o pessoal daqui é muito educado e eu fico até com vergonha quando converso com eles, ''exercitando my little english'' eles sorriem sempre e parece que querem tocar em mim pra ver se sou de verdade, já fiz amizade com a galera da ''SANTA MARIA'' e hoje à noite sairemos pra balada e vamos a um show de uns caras que tocam o ''boran'' (o pandeirão irlandês, cujo nome nem sei se escreve-se assim), este instrumento também é de origem Celta e o show é de música celta.
Toshiro, já falei que meu mestre tosh me deu a incumbência de levar um pandeirão desses pra ele e acho que vai rolar viu, se aveche não meu bichim!!
Pessoal, todos vocês que estão lendo este email, quero que saibam que estão todos aqui comigo, no astral e no meu coração, estou escrevendo uma mensagem só, por causa do tempo, mas as notícias são as mesmas para todos e assim também é a minha consideração por todos e por lembrar-me de vocês é que estou escrevendo, já fizemos muitas fotos e assim que as descarregar postarei as mesmas no meu facebook ok??
Gente um pouquinho de cultura inútil ou não!
''QUANDO FUI Á NICARÁGUA. CHEGUEI LÁ, TROQUEI MEU DINHEIRO, PENSEI QUE ESTAVA MILIONÁRIA E NUM INSTANTE ESTAVA INFLACIONADAMENTE POBRE E REGRANDO A GRANA, AQUÍ, CHEGUEI, NEM TROQUEI O MEU POUQUÍSSIMO DINHEIRO, TENHO CONSCIÊNCIA DA MINHA POBREZA FINANCEIRA MAS JÁ COMI SALMÃO COM ASPARGOS E CHAMPIGNON, TOMEI MUITO VINHO BOM E SUQUINHO DE MACA E NAO PAGUEI NADA, SÓ NA CORTESIA GRINGA PARA COM A NEGUINHA AQUI'' me permitam a metideza??''' (rsrs)..., ainda não ví ninguém abandonado nas ruas, nem pedindo esmolas, nem à mercè do estado neste sentido e só posso dizer que isso parece muuuuito bacana.

Ó PESSOAL VOU PARANDO POR AQUI COM MUITA SAUDADE DOS MEUS FILHOTES, DA CECÍLIA, DO GATINHO JOÃO E DE TODOS VOCÊS, MAS COM MUITA ALEGRIA E GRATIDÃO PELO UNIVERSO SURPREENDENTE , MARAVILHOSO E ABUNDANTE EM GRAÇAS.
AS MESMAS GRAÇAS E BÊNÇÃOS EU DESEJO A TODOS POIS É O QUE TODOS MERECEM E CERTAMENTE O UNIVERSO ESTÁ IMPACIENTE PARA ENTREGAR-LHES.
AxÉ DE YANSA A TODAS E TODOS.
Maninhas e maninhos do MARACATUCÀ já troquei ideias com uns manos do maracatú daqui, um cara vestia a camiseta da NACAO PORTO RICO''pode''??
Eles não têm a dança ainda e ficaram felizes porque eu ensinei alguns passos básicos pra eles, Glória e Newtao, os manos tocam pra caraca, já receberam o mestre Chacom, mestre Afonso e o pessoal da Chambá e agora o Maracatú Cambinda Velha com a gente, ''saíram na frente, olha aí''. Poxa o pessoal daqui é muito educado e eu fico até com vergonha quando converso com eles, ''exercitando my little english'' eles sorriem sempre e parece que querem tocar em mim pra ver se sou de verdade, já fiz amizade com a galera da ''SANTA MARIA'' e hoje à noite sairemos pra balada e vamos a um show de uns caras que tocam o ''boran'' (o pandeirão irlandês, cujo nome nem sei se escreve-se assim), este instrumento também é de origem Celta e o show é de música celta.
Toshiro, já falei que meu mestre tosh me deu a incumbência de levar um pandeirão desses pra ele e acho que vai rolar viu, se aveche não meu bichim!!
Pessoal, todos vocês que estão lendo este email, quero que saibam que estão todos aqui comigo, no astral e no meu coração, estou escrevendo uma mensagem só, por causa do tempo, mas as notícias são as mesmas para todos e assim também é a minha consideração por todos e por lembrar-me de vocês é que estou escrevendo, já fizemos muitas fotos e assim que as descarregar postarei as mesmas no meu facebook ok??
Gente um pouquinho de cultura inútil ou não!
''QUANDO FUI Á NICARÁGUA. CHEGUEI LÁ, TROQUEI MEU DINHEIRO, PENSEI QUE ESTAVA MILIONÁRIA E NUM INSTANTE ESTAVA INFLACIONADAMENTE POBRE E REGRANDO A GRANA, AQUÍ, CHEGUEI, NEM TROQUEI O MEU POUQUÍSSIMO DINHEIRO, TENHO CONSCIÊNCIA DA MINHA POBREZA FINANCEIRA MAS JÁ COMI SALMÃO COM ASPARGOS E CHAMPIGNON, TOMEI MUITO VINHO BOM E SUQUINHO DE MACA E NAO PAGUEI NADA, SÓ NA CORTESIA GRINGA PARA COM A NEGUINHA AQUI'' me permitam a metideza??''' (rsrs)..., ainda não ví ninguém abandonado nas ruas, nem pedindo esmolas, nem à mercè do estado neste sentido e só posso dizer que isso parece muuuuito bacana.

Ó PESSOAL VOU PARANDO POR AQUI COM MUITA SAUDADE DOS MEUS FILHOTES, DA CECÍLIA, DO GATINHO JOÃO E DE TODOS VOCÊS, MAS COM MUITA ALEGRIA E GRATIDÃO PELO UNIVERSO SURPREENDENTE , MARAVILHOSO E ABUNDANTE EM GRAÇAS.
AS MESMAS GRAÇAS E BÊNÇÃOS EU DESEJO A TODOS POIS É O QUE TODOS MERECEM E CERTAMENTE O UNIVERSO ESTÁ IMPACIENTE PARA ENTREGAR-LHES.
AxÉ DE YANSA A TODAS E TODOS.
cansaço ... de Gabriela Pardim
anta coisa acontecendo, e eu aqui
Pois é, quanto aconteceu e eu vivi
Pior é que...
Quanta coisa aconteceu
Eu vivi e nem senti
Melhor seria
Ter pensado menos
Ter vivido mais
Agora não estaria preocupada com o que vai acontecer
Seja na segunda, sexta ou domingo
Até no sábado
Ah! No sábado começa cedo e termina tarde
O que?
O que acontecerá
Quando irei mudar a ordem dos fatores
Meu relógio não ter futuro
Meu andar não ter destino
Melhor será quando poderei organizar meu dia
Não gastar meu repertório
Não viver preocupada
A ponto de não saber por onde começar
Com tão pouca coisa para fazer
E tantos sonhos para idealizar
Pois é
Quanta coisa acontecendo e eu aqui
Preocupada com o que está acontecendo
Não vivendo
Achando que estou sobrevivendo
Da brisa,
Do ar gelado
Do vento parado
Este barulho que me incomoda
Não te incomoda
Na verdade,
Só me faz pensar
Quantos tambores estão batendo
E eu aqui sentada, sentindo o tempo passar
Não podendo andar
Não podendo bailar
Sobrevivendo do conhecimento que um dia acaba
Ou cansa.
Aprendizagens de Guiné Bissau! de Júnia Bertolino¹ (Fotografias: Pedro Zorzall e Júnia Bertolino)
A questão lingüística é muito importante para cultura e formação do legado da população de qualquer país. Por isto, foi importante a experiência da escuta e aprendizagem da língua natal deste país com desafios nas similaridades e diferenças. Na verdade são "Manga di cusas" (muitas coisas -- em criolo) língua falada em Guiné Bissau além do português, aliás, muitos não falam, pois mais de 70% falam criolo. Aqui tem muito peixe! Bionda di Bissau sabi (a comida de Bissau saborosa - em criolo).
Odete Semedo, defendeu o mestrado em 2010 e lançou um livro lançado que apresenta a cultura guineense, a partir da riqueza da oralidade, ou seja a narrativa africana. Ainda ressalta os conceitos de ancestralidade e memória, outros saberes e a importância da cultura a partir da narrativa, do canto, ritmo, dança e vestimenta das mulheres Manjuandades que traz nos tecidos a poesia e a contação de história. Sendo que a comunidade ganha a vida com a tecelagem, os panos e a arte das cabaças. Em Guiné, os grupos culturais como Balé Nacional de Guiné Bissau, Ubuto, Netos de Bandim e Grupo do Teatro do Oprimido contribuiu no meu aprendizagem sobre a riqueza da cultura africana.
Madiagne Diallo (responsável pela Delegação Brasileira no III Fesman) providenciou as instalações no Senegal e ajudou muito na minha permanência em Senegal após o festival e a viagem para Guiné Bissau, assim como Maria Elisa Teófilo de Luna (embaixadora do Brasil no Senegal).
Guiné Bissau é um país de rica tradição cultural representada em tecidos, pesca, instrumentos musicais, vegetais, músicas, religiosidade, artesanato e danças com várias etnias vivenciando a diversidade cultural africana. Sendo um país de língua portuguesa assim como o Brasil, gostam muito do ritmo samba e da cultura brasileira. Para chegar ao ensaio do Grupo Cultural Netos de Bandim em Guiné Bissau em 2011, contei com contribuição preciosa dos amigos Atcho Express (grande ator) com diversos trabalhos na cidade e Wilson (percussionista do Balé Nacional de Guiné Bissau). O incentivo de artistas da cidade como Dina Adão do espaço Hotel Rubim (local que ocorreu a oficina) e a pesquisadora Odete Semedo, aconteciam um intercâmbio Brasil e África. Participaram quatro integrantes do Grupo Cultural Netos de Bandim, foi um privilégio contar também com a participação de outros artistas que atuam no Balé Nacional de Guiné Bissau e Grupo Ubuto. Mas tarde, fui convidada pelos jovens da comunidade de Bandim para assistir o ensaio do grupo. Lá em contato com o coordenador do grupo Ector Diógenes conheci a vasta cultura guineense. Ver maravilhada as crianças e jovens representar e vivenciar a arte negra, em penteados, vestimentas, cantos, ritmos e danças.
O Grupo Cultural Netos de Bandim vem ganhando por seis anos o título de melhor grupo cultural do carnaval guineense. Este grupo apresenta nas ruas de Guiné Bissau as etnias Felupe, Fula, Manjaca e Bijagó. Além de danças como Kampune e Kabaró. Nesta comunidade também encontramos as Mulheres Manjuandades com sua cultura peculiar da Dina (cabaça) tocada dentro de uma bacia com água. Acompanhada com diversos instrumentos como xiquerês, atabaques e as madeiras nas mãos das mulheres que tocam, cantam e revezam na dança. A cultura da Dina abriga uma tradição ancestral. Além dos cantos e tecidos que estão traduzindo a história daquela etnia, valores do povo guineense, apresentando diversidade de ritmos. Essa comunidade é localizada em um bairro chamado Bandim que deu origem ao nome do grupo em Guiné Bissau. Portanto, participar do aprendizagem de Guiné Bissau é enriquecedor para trajetória da Cia Baobá de Dança - Minas, fortalecendo assim os laços identitários Brasil e África.

[1] Júnia Bertolino é bailarina afro, jornalista e antropóloga, pós-graduanda em Estudos Africanos. Capoerista da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro. Corista e dançarina do Coral Agbára - Vozes da África (BH/MG). Diretora e coreógrafa da Companhia Baobá de Dança. baoba.danca@gmail.com
Odete Semedo, defendeu o mestrado em 2010 e lançou um livro lançado que apresenta a cultura guineense, a partir da riqueza da oralidade, ou seja a narrativa africana. Ainda ressalta os conceitos de ancestralidade e memória, outros saberes e a importância da cultura a partir da narrativa, do canto, ritmo, dança e vestimenta das mulheres Manjuandades que traz nos tecidos a poesia e a contação de história. Sendo que a comunidade ganha a vida com a tecelagem, os panos e a arte das cabaças. Em Guiné, os grupos culturais como Balé Nacional de Guiné Bissau, Ubuto, Netos de Bandim e Grupo do Teatro do Oprimido contribuiu no meu aprendizagem sobre a riqueza da cultura africana.
Madiagne Diallo (responsável pela Delegação Brasileira no III Fesman) providenciou as instalações no Senegal e ajudou muito na minha permanência em Senegal após o festival e a viagem para Guiné Bissau, assim como Maria Elisa Teófilo de Luna (embaixadora do Brasil no Senegal).
Guiné Bissau é um país de rica tradição cultural representada em tecidos, pesca, instrumentos musicais, vegetais, músicas, religiosidade, artesanato e danças com várias etnias vivenciando a diversidade cultural africana. Sendo um país de língua portuguesa assim como o Brasil, gostam muito do ritmo samba e da cultura brasileira. Para chegar ao ensaio do Grupo Cultural Netos de Bandim em Guiné Bissau em 2011, contei com contribuição preciosa dos amigos Atcho Express (grande ator) com diversos trabalhos na cidade e Wilson (percussionista do Balé Nacional de Guiné Bissau). O incentivo de artistas da cidade como Dina Adão do espaço Hotel Rubim (local que ocorreu a oficina) e a pesquisadora Odete Semedo, aconteciam um intercâmbio Brasil e África. Participaram quatro integrantes do Grupo Cultural Netos de Bandim, foi um privilégio contar também com a participação de outros artistas que atuam no Balé Nacional de Guiné Bissau e Grupo Ubuto. Mas tarde, fui convidada pelos jovens da comunidade de Bandim para assistir o ensaio do grupo. Lá em contato com o coordenador do grupo Ector Diógenes conheci a vasta cultura guineense. Ver maravilhada as crianças e jovens representar e vivenciar a arte negra, em penteados, vestimentas, cantos, ritmos e danças.
O Grupo Cultural Netos de Bandim vem ganhando por seis anos o título de melhor grupo cultural do carnaval guineense. Este grupo apresenta nas ruas de Guiné Bissau as etnias Felupe, Fula, Manjaca e Bijagó. Além de danças como Kampune e Kabaró. Nesta comunidade também encontramos as Mulheres Manjuandades com sua cultura peculiar da Dina (cabaça) tocada dentro de uma bacia com água. Acompanhada com diversos instrumentos como xiquerês, atabaques e as madeiras nas mãos das mulheres que tocam, cantam e revezam na dança. A cultura da Dina abriga uma tradição ancestral. Além dos cantos e tecidos que estão traduzindo a história daquela etnia, valores do povo guineense, apresentando diversidade de ritmos. Essa comunidade é localizada em um bairro chamado Bandim que deu origem ao nome do grupo em Guiné Bissau. Portanto, participar do aprendizagem de Guiné Bissau é enriquecedor para trajetória da Cia Baobá de Dança - Minas, fortalecendo assim os laços identitários Brasil e África.

[1] Júnia Bertolino é bailarina afro, jornalista e antropóloga, pós-graduanda em Estudos Africanos. Capoerista da Associação Cultural Eu Sou Angoleiro. Corista e dançarina do Coral Agbára - Vozes da África (BH/MG). Diretora e coreógrafa da Companhia Baobá de Dança. baoba.danca@gmail.com
O MACRAMÊ E UMA ANDORINHA de Gabriela Pardim
Entrevistada: Rosângela Ampúdia
A VOZ DO GUETO: Com quem você aprendeu o macramê?
Andorinha: Meu pai que me criou, na verdade o meu avô materno. Na família era chamado de vô Brito, mas eu quando precisava me referir a ele, dizia pai Brito. Foi ele que me ensinou o macramê.
A VOZ DO GUETO: Você se recorda dos momentos que passou com ele?
Andorinha: Na casa em que eu fui criada... a nossa casa. Éramos eu, ele e a mãe Maria. Tinha uma varanda muito gostosa. E tinha assim um pilar, sabe? Ele amarrava as sacolas em pé. Eu tenho procurado por um primo que tem fotos dele amarrando-as, mas nem tenho conseguido... mas enfim... ele amarrava essas sacolas, que ele aprendeu com a mãe dele. Em Minas.
A VOZ DO GUETO:Como era o dia-a-dia com vô Brito?
Andorinha: Ele contava que tinha um tio que tinha uma vendinha, e ele trabalhava nessa vendinha, desde ainda menino. Enquanto ele amarrava a sacola... então... ele fez um balanço pra mim... que ficava perto desse pilar que ele amarrava. Perto tinha o tanque ... de manha era tão gostoso... porque enquanto ele amarrava, eu balançava ... e minha mãe estava muitas vezes no tanque... tinha um quarador em casa... que ela cuidava com carinho... ela gostava de quarar asroupas brancas...
A VOZ DO GUETO: Como aprendeu a fazer as sacolinhas?
Andorinha: Eu aprendi naturalmente, sem sofrimento. Foi engraçado porque na escola quando já na adolescência, eu estudei numa escola, Instituto de Educação de Assis, e era um sistema pluricurricular. Tinha uma cozinha e tinha um salão pra artesanato e uma oficinas para meninos. Eu optava sempre pro artesanato e para a oficina (rsrs). Quando a professora levou aulas de macramê... levou a sacola que ela aprendeu com meu pai.
A VOZ DO GUETO:Então, você se saiu muito bem nessas aulas de sacolinhas de macramê?
Andorinha: Ela ia enrolar muitas aulas nisso, e eu entao saquei a dela e ensinei pro pessoal e ate fiz pra quem não conseguia fazer... porque fiquei chateada com ela por não ter falado que aprendeu com vô Brito, dizendo que tinha aprendido com a vó dela. Mas nem quero mais falar sobre isso.
A VOZ DO GUETO: Alguém mais da família sabe tear em macramê?
Andorinha: Vô Brito ensinou pra um filho dele, o tio Zezé, mas isso bem antes de mim. Ele também fazia e presenteava como o meu pai. Incrível que esse meu tio fazia aniversário no mesmo dia que o meu pai: 3 de junho. Ambos falecidos. E eu fui a única pessoa que deu continuidade... depois de muito tempo... tô voltando a fazer as sacolas...
A VOZ DO GUETO: Você disse que as sacolas eram presentes?
Andorinha: Era uma fila de espera e era engraçado, porque ele presenteava as netas filhas e quando casavam era o presente mais pedido...
A VOZ DO GUETO: Como é para você, ensinar outras pessoas a fazer o macramê, em um tempo que é tão pouco valorizado o trabalho artesanal?
Andorinha: Olha, quando eu dei as oficinas dos Sescs... a maioria das pessoas que faziam era da terceira idade e vinham com muita saudade falar do macramé. Tinham sempre historias parecidas com a minha...algumas vinham pra relembrar o amarrio.Era assim que meu pai falava. É gratificante.
A VOZ DO GUETO: Tenho uma curiosidade. De onde surgiu o macramê?
Andorinha: O macramé tem origem no mar. Os marinheiros, começaram a amarrar para passar o tempo e criaram peças que acabaram sendo presentes para as mulheres que encontravam em terra.
A VOZ DO GUETO: Pelo o que você me contou, o macramê na sua vida vai além de um trabalho artesanal. Me parece um elo com seus ancestrais. Como é ter essa ancestralidade nas "pontas dos dedos"?
Andorinha: É uma energia interessante. Porque é como manter viva a imagem de pessoas queridas e também de momentos vividos. Eu sempre digo que foi a maior herança que meu pai me deixou. Enquanto algum filho discutia meus direitos legais, eu que ignorei esses direitos fiquei com a parte melhor dos seus bens.
A VOZ DO GUETO: Você pretende ensinar seus netos como vô Brito te ensinou?
Andorinha: Pretendo sim. O ponto básico eu ja ensinei para os meus filhos... mas por enquanto eles usaram para fazer bijouterias. A sacola mesmo ainda não consegui passar. Mas pretendo sim. Só não tenho certeza de qual deles dará essa continuidade... embora desconfie.
A VOZ DO GUETO: Com quem você aprendeu o macramê?
Andorinha: Meu pai que me criou, na verdade o meu avô materno. Na família era chamado de vô Brito, mas eu quando precisava me referir a ele, dizia pai Brito. Foi ele que me ensinou o macramê.
A VOZ DO GUETO: Você se recorda dos momentos que passou com ele?
Andorinha: Na casa em que eu fui criada... a nossa casa. Éramos eu, ele e a mãe Maria. Tinha uma varanda muito gostosa. E tinha assim um pilar, sabe? Ele amarrava as sacolas em pé. Eu tenho procurado por um primo que tem fotos dele amarrando-as, mas nem tenho conseguido... mas enfim... ele amarrava essas sacolas, que ele aprendeu com a mãe dele. Em Minas.
A VOZ DO GUETO:Como era o dia-a-dia com vô Brito?
Andorinha: Ele contava que tinha um tio que tinha uma vendinha, e ele trabalhava nessa vendinha, desde ainda menino. Enquanto ele amarrava a sacola... então... ele fez um balanço pra mim... que ficava perto desse pilar que ele amarrava. Perto tinha o tanque ... de manha era tão gostoso... porque enquanto ele amarrava, eu balançava ... e minha mãe estava muitas vezes no tanque... tinha um quarador em casa... que ela cuidava com carinho... ela gostava de quarar asroupas brancas...
A VOZ DO GUETO: Como aprendeu a fazer as sacolinhas?
Andorinha: Eu aprendi naturalmente, sem sofrimento. Foi engraçado porque na escola quando já na adolescência, eu estudei numa escola, Instituto de Educação de Assis, e era um sistema pluricurricular. Tinha uma cozinha e tinha um salão pra artesanato e uma oficinas para meninos. Eu optava sempre pro artesanato e para a oficina (rsrs). Quando a professora levou aulas de macramê... levou a sacola que ela aprendeu com meu pai.
A VOZ DO GUETO:Então, você se saiu muito bem nessas aulas de sacolinhas de macramê?
Andorinha: Ela ia enrolar muitas aulas nisso, e eu entao saquei a dela e ensinei pro pessoal e ate fiz pra quem não conseguia fazer... porque fiquei chateada com ela por não ter falado que aprendeu com vô Brito, dizendo que tinha aprendido com a vó dela. Mas nem quero mais falar sobre isso.
A VOZ DO GUETO: Alguém mais da família sabe tear em macramê?
Andorinha: Vô Brito ensinou pra um filho dele, o tio Zezé, mas isso bem antes de mim. Ele também fazia e presenteava como o meu pai. Incrível que esse meu tio fazia aniversário no mesmo dia que o meu pai: 3 de junho. Ambos falecidos. E eu fui a única pessoa que deu continuidade... depois de muito tempo... tô voltando a fazer as sacolas...
A VOZ DO GUETO: Você disse que as sacolas eram presentes?
Andorinha: Era uma fila de espera e era engraçado, porque ele presenteava as netas filhas e quando casavam era o presente mais pedido...
A VOZ DO GUETO: Como é para você, ensinar outras pessoas a fazer o macramê, em um tempo que é tão pouco valorizado o trabalho artesanal?
Andorinha: Olha, quando eu dei as oficinas dos Sescs... a maioria das pessoas que faziam era da terceira idade e vinham com muita saudade falar do macramé. Tinham sempre historias parecidas com a minha...algumas vinham pra relembrar o amarrio.Era assim que meu pai falava. É gratificante.
A VOZ DO GUETO: Tenho uma curiosidade. De onde surgiu o macramê?
Andorinha: O macramé tem origem no mar. Os marinheiros, começaram a amarrar para passar o tempo e criaram peças que acabaram sendo presentes para as mulheres que encontravam em terra.
A VOZ DO GUETO: Pelo o que você me contou, o macramê na sua vida vai além de um trabalho artesanal. Me parece um elo com seus ancestrais. Como é ter essa ancestralidade nas "pontas dos dedos"?
Andorinha: É uma energia interessante. Porque é como manter viva a imagem de pessoas queridas e também de momentos vividos. Eu sempre digo que foi a maior herança que meu pai me deixou. Enquanto algum filho discutia meus direitos legais, eu que ignorei esses direitos fiquei com a parte melhor dos seus bens.
A VOZ DO GUETO: Você pretende ensinar seus netos como vô Brito te ensinou?
Andorinha: Pretendo sim. O ponto básico eu ja ensinei para os meus filhos... mas por enquanto eles usaram para fazer bijouterias. A sacola mesmo ainda não consegui passar. Mas pretendo sim. Só não tenho certeza de qual deles dará essa continuidade... embora desconfie.
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