Após um longo período de gestação...
Eis aqui a realização de um pequeno grande sonho.
A VOZ DO GUETO!!!
Pensamentos, sentimentos, expressões!!!
Enfim, um veiculo de comunicação popular, aberto à todos aqueles e aquelas que desejem expressar seus sentimentos, pensamentos, reflexões, traços, desenhos, fotografias, versos...
Fazer ecoar as vozes que não se ouvem nos jornais, nos programas de tv, na comunicação oficial da grande mídia. Fazer ecoar as vozes do Gueto!
Um espaço reservado à todos e todas que acreditam na liberdade e na igualdade de oportunidades para a comunicação livre das forças da vida. Uma forma de luta pela construção de uma união cada vez maior entre as pessoas e grupos que acreditem que é possível um mundo mais belo. Livre de opressão, preconceito e discriminação racial, social, sexual, cultural.
Um mundo onde caibam todos os mundos!!!
Onde possamos ser quem somos, sem que tenhamos que nos padronizar segundo as normas estabelecidas sobre como se vestir, falar, comer, pensar...
A semente está lançada, então, que ecoem as vozes do gueto!
Uma boa leitura e até a próxima!●
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
Breve Histórico do Terminal Central de Campinas - Gabriela Pardim
Desde o inicio do século XX, Campinas passou por muitas modificações arquitetônicas, principalmente na sua região central. Na época em que essas mudanças foram realizadas, engenheiros não se preocupavam com a preservação da região, assim a cidade que foi projetada para exportação cafeeira, com trens, no inicio do século XX, teve mais de 300 prédios demolidos, para dar passagem à “era do automóvel”. Com a consolidação do Plano Prestes Maia, na década de 20, não havia questionamento para a preservação de patrimônios históricos de Campinas, por isso existem poucas construções tombadas: a intenção do plano era “trocar o velho pelo novo”, sem pensar nas conseqüências.
A construção de edifícios públicos e o alargamento de avenidas paralelas aos eixos comerciais (Avenidas Francisco Glicério e Campos Salles) foram as primeiras transformações realizadas na região central de Campinas. Após a ampliação da área central, os terrenos ficaram mais baratos, devido às irregularidades de alinhamentos encontradas nas vias, assim em 1953, houve uma proliferação de loteamentos na região. No mesmo ano, houve uma alteração no Plano de Melhoramentos Urbanos da cidade exigindo reserva de áreas livres, e outra em 1957, delegando a execução de infra-estruturas de redes de água e esgoto. A partir de 1954, iniciou-se o crescimento da cidade na vertical, assim antigos casarões do período colonial foram substituídos por edifícios.
Antes da construção do viaduto, havia uma passagem do Centro de Campinas para a Vila Industrial, sendo está passagem veio substituir a Porteira da Capivara. Ela era estreita e passava uma fileira de automóvel de cada vez, tendo um guarda de controlador.
O viaduto Miguel Vicente Cury foi idealizado para criar um elo entre a entrada da cidade de Campinas pela Prestes Maia e a região central, dando acesso à cidade pela Avenida Moraes Salles. “Todos os eixos seriam fecundados e a cidade aumentaria circularmente” [PASCHOALIN e BODSTEIN]. Sua construção iniciou-se em 1961, e em 1963, foi inaugurado.
Desconhecido pelas novas gerações, no meio do viaduto, havia uma área verde, o “Lago dos Cisnes” um dos cartões postais da cidade nos anos de 1970, exibindo um cenário que parecia um oásis com “aves que se divertiam no espelho d'água entre os canteiros e as árvores frondosas” com um relógio de sol, um lugar de lazer para todas as faixas etárias.
A temática da praça foi inspirada na produção teatral mundial “Lago dos Cisnes”, recordando o ar aristocrático do tempo dos barões de café preservado na primeira metade do século na cidade, em pleno processo de industrialização. Mas o glamour sugerido pela peça, não conseguiu se manter, e em 1983, o jardim foi substituído pelo atual terminal de ônibus na gestão de Magalhães Teixeira. Nada foi argumentado contra o fim da praça, que se encontrava abandonada, sem manutenção e violenta.
O terminal traz desde seus primórdios, o des caso dos governantes. Pensaram no crescimento industrial da cidade, e onde havia “portas” abriram rodovias e onde havia “janelas” abriram avenidas transformando-a no que vimos hoje. A região central da cidade sofreu um descaso com sua história, hoje, pouco encontra-se “como tudo começou...“. No meio das “portas e janelas” havia um grande parque arborizado de lazer, e novamente o descuido se fez presente, e como era mais fácil construir do que dar manutenções, novamente às entidades de poder colocaram no lugar de um parque sujo, um terminal de ônibus de metal e concreto.●
A construção de edifícios públicos e o alargamento de avenidas paralelas aos eixos comerciais (Avenidas Francisco Glicério e Campos Salles) foram as primeiras transformações realizadas na região central de Campinas. Após a ampliação da área central, os terrenos ficaram mais baratos, devido às irregularidades de alinhamentos encontradas nas vias, assim em 1953, houve uma proliferação de loteamentos na região. No mesmo ano, houve uma alteração no Plano de Melhoramentos Urbanos da cidade exigindo reserva de áreas livres, e outra em 1957, delegando a execução de infra-estruturas de redes de água e esgoto. A partir de 1954, iniciou-se o crescimento da cidade na vertical, assim antigos casarões do período colonial foram substituídos por edifícios.
Antes da construção do viaduto, havia uma passagem do Centro de Campinas para a Vila Industrial, sendo está passagem veio substituir a Porteira da Capivara. Ela era estreita e passava uma fileira de automóvel de cada vez, tendo um guarda de controlador.
O viaduto Miguel Vicente Cury foi idealizado para criar um elo entre a entrada da cidade de Campinas pela Prestes Maia e a região central, dando acesso à cidade pela Avenida Moraes Salles. “Todos os eixos seriam fecundados e a cidade aumentaria circularmente” [PASCHOALIN e BODSTEIN]. Sua construção iniciou-se em 1961, e em 1963, foi inaugurado.
Desconhecido pelas novas gerações, no meio do viaduto, havia uma área verde, o “Lago dos Cisnes” um dos cartões postais da cidade nos anos de 1970, exibindo um cenário que parecia um oásis com “aves que se divertiam no espelho d'água entre os canteiros e as árvores frondosas” com um relógio de sol, um lugar de lazer para todas as faixas etárias.
A temática da praça foi inspirada na produção teatral mundial “Lago dos Cisnes”, recordando o ar aristocrático do tempo dos barões de café preservado na primeira metade do século na cidade, em pleno processo de industrialização. Mas o glamour sugerido pela peça, não conseguiu se manter, e em 1983, o jardim foi substituído pelo atual terminal de ônibus na gestão de Magalhães Teixeira. Nada foi argumentado contra o fim da praça, que se encontrava abandonada, sem manutenção e violenta.
O terminal traz desde seus primórdios, o des caso dos governantes. Pensaram no crescimento industrial da cidade, e onde havia “portas” abriram rodovias e onde havia “janelas” abriram avenidas transformando-a no que vimos hoje. A região central da cidade sofreu um descaso com sua história, hoje, pouco encontra-se “como tudo começou...“. No meio das “portas e janelas” havia um grande parque arborizado de lazer, e novamente o descuido se fez presente, e como era mais fácil construir do que dar manutenções, novamente às entidades de poder colocaram no lugar de um parque sujo, um terminal de ônibus de metal e concreto.●
Mestre Pastinha - Léo Lopes
Cerca de onze meses após a oficial abolição da escravatura e sete meses antes da proclamação da República no Brasil... Em 5 abril de 1.889 a cidade de Salvador/BA, amanheceu mais bonita, naquele céu de outono cintilaram as estrelas em saudação: nascia Vicente Ferreira Pastinha, o Mestre Pastinha!Filho de Raimunda dos Santos, uma mulher negra de Santo Amaro da Purificação e de José Señor Pastinha, um pequeno comerciante de origem espanhola. Menino franzino e pequenino quando contava com seus dez anos de idade, vivia apanhando de um garoto que morava no caminho da venda onde tinha que buscar coisas para sua mãe todos os dias. Certo dia quando voltava chorando para casa foi abordado por Benedito, um velho africano que lhe disse:"Ocê qué enfrentá esse menino na raça, mas não pode.
Esse menino é mais ativo que ocê!
O tempo que ocê vai pra rua empina arraia, vem aqui pro meu cazuá que vou lhe ensina uma coisa de muita valia."
E assim deu-se inicio o aprendizado deste que veio a se tornar um dos maiores mestres da história da Capoeira. Reponsável por um projeto de organização, preservação e difusão da Capoeira Mãe, a Capoeira Angola. Num tempo onde esta era considerada um crime pela sociedade ele alçou a bandeira da dignidade da Capoeira, como cultura, como arte, terapia, esporte, defesa pessoal e caminho para o aprimoramento dos valores humanitários essenciais a vida social como a cooperação, o respeito mútuo e a solidariedade.
A este projeto deu o nome de Centro Esportivo de Capoeira Angola o qual mesmo depois de seu falecimento em 13 de novembro de 1.981, continuou e continua sendo uma realidade pelas mãos de Mestre João Pequeno de Pastinha. O mais velho capoeirista em atividade no mundo que aos seus noventa e um anos de idade persevera e difunde através de seus discípulos a riqueza desta arte.
Mestre Pastinha foi muito mais que um mero praticante de Capoeira, ele transcendeu o veio das possibilidades, foi um pensador, um filósofo da cultura popular do Brasil. Na menina de seus olhos uma visão distinta:
"A capoeira é amorosa, não é perversa.
A Capoeira é um costume como outro qualquer,
Um hábito cortês que criamos dentro de nós..».
Formigueiro da Amargura - Bia Taturana
“Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca,
sorri seus dentes de chumbo.
Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão.
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão”
(Paulinho da Viola – Dança da Solidão).
Amargura em minha boca,
sorri seus dentes de chumbo.
Solidão, palavra
Cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão.
Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão”
(Paulinho da Viola – Dança da Solidão).
Durante o intervalo de nove segundos que Paulo esperava o metrô, o estudante de medicina analisa as situações diárias que observa dentro e fora do hospital. Com vinte e sete anos, Paulo não enxerga mais expectativas. Depois que passou a ter contato com os casos que lhe rodeia dez horas por dia nos plantões do hospital que completa sua residência, a sensibilidade de Paulo aumentou para com o modo no qual as pessoas conduziam suas vidas. Diariamente eram os mesmos sintomas: doenças respiratórias, infartos, aneurismas, dentre outras enfermidades que eram padronizadas pelos pacientes que circulavam pelo hospital. Algo havia de errado.
_ A senhora fuma?
_ Sim.
_ Humm. Quantos cigarros por dia?
_ Dois maços.
_ Não é muito?
_ Ah doutor, eu sou muito nervosa. Eu acordo às 5 da manhã, tomo o primeiro ônibus lá perto de casa, o ônibus bufando de gente durante duas horas e quarenta e cinco minutos pra atravessar até metade do caminho pro meu serviço. Depois, mais uma hora de van pra ta no serviço às 9. Saio às 20 horas do serviço, faço mais uma vez esse caminho, nem vejo direito meus filhos, vou pra cama morrendo de cansaço. Se eu não fumar meu cigarrinho, fico louca!
_Sei. E a senhora se alimenta direito?
_ Ah doutor, naquelas... eu tomo um café bem forte antes de sair de casa, que eu deixo pronto antes de me deitar. Eu precisava levar marmita de casa, mas não tenho coragem de preparar comida, tamanho o cansaço, então eu almoço dois salgado e um copo de refrigerante no serviço. Já acostumei. Meus filhos, graças a Deus, almoçam na escola lá do bairro. Eu sei que eu deveria me esforçar mais doutor, não por mim, mas pelos meus dois filhos, mas eu sou uma só doutor, fico morta de cansaço.
_ Você já tentou arrumar outro emprego?
_ Hahaha, não me faça rir doutor! Você acha que uma pessoa com a minha idade, sem estudo, semi-analfabeta, consegue emprego assim fácil? Emprego fácil ta assim pra vocês que têm diploma, é jovem, bonito. Gente velha, feia e ignorante o mercado gospe e pisa em cima.
_ Bom, nesse caso eu vou te passar esse antibiótico, mas você tem que tomá-lo após as refeições. É só retirá-lo no balcão.
_ Obrigada doutor.
Achava seu serviço uma indecência. Desde jovem queria exercer a profissão de médico, clínico geral. Filho da classe média trabalhadora católica, queria ser útil para alguma coisa nesse mundo. Diante desses diálogos que percorriam o seu cotidiano durante o trabalho, percebera a sua inutilidade diante à saúde do próximo, o que entendia ser completamente paradoxal, uma vez que as pessoas lhe confiavam suas vidas, era ele quem havia estudado anos para adquirir as informações exatas para solucionar aquelas doenças. Casos simples de serem resolvidos a partir de uma única forma: os pacientes teriam de mudar suas rotinas.
Era a única certeza que Paulo carregava dentro de si. Para que as pessoas solucionem suas enfermidades, é necessário que elas modifiquem seu cotidiano. Trabalhem menos, principalmente aquelas que exerciam funções repetitivas – a grande maioria – pratiquem atividades físicas que mais lhes agradassem para a liberação de serotonina e alimentação balenceada: cereais, legumes, frutas, verduras e alguma proteína animal. A receita era simples, mas como exercê-la diante de um cotidiano tão opressor? Para garantir todas essas necessidades básicas, a população era obrigada a se submeter a estas situações diárias, e ainda assim não garantiam o básico. Sentia-se podre por dentro, por darem tanto valor à sua profissão de merda, e se encontrar inerte diante dessas situações; além da certeza de se encontrar também enclausurado pelo sistema, já que a única coisa que lhe restava era contribuir para o enriquecimento das monstruosas farmacêuticas ao viciar as pessoas em drogas pesadas apenas para amenizar o problema, e não curá-lo.
Há meses que Paulo já não encontra mais estímulo. Tais situações lhe ocasionaram uma crise de depressão profunda, mas nem percebeu seu próprio problema, tal qual o restante da população. Minutos antes, se encontrava no interior do vagão com a mesma fisionomia dos demais: inexpressivos, movidos mecanicamente devido a mesma via sacra diária. Ao esperar o próximo trem na estação que faria baldiação para retornar ao serviço, num surto que o libertou do mecanismo medíocre que refletia naquele instante, Paulo se jogou na linha do metrô no momento em que o trem chegava para conduzir as formigas operárias paulistanas a seus postos, responsáveis na manutenção do vasto império presente na Avenida Paulista a na maior frota de helicópteros do mundo.
O suicídio de Paulo foi um bafafá na cidade, mas durou pouco tempo. Mesmo a imprensa mais sensacionalista foi terminantemente proibida de apresentar o caso aos seus telespectadores, devido a uma ética em omitir índices de suicídio – prevenção de surtos coletivos; ou gerar a ruína deste modelo de sociedade estratificada. Como não foi noticiado em lugar algum, os boatos logo cessaram, e Paulo se tornou mais um desses índices que fora arquivado, e obrigatoriamente esquecido.
_ A senhora fuma?
_ Sim.
_ Humm. Quantos cigarros por dia?
_ Dois maços.
_ Não é muito?
_ Ah doutor, eu sou muito nervosa. Eu acordo às 5 da manhã, tomo o primeiro ônibus lá perto de casa, o ônibus bufando de gente durante duas horas e quarenta e cinco minutos pra atravessar até metade do caminho pro meu serviço. Depois, mais uma hora de van pra ta no serviço às 9. Saio às 20 horas do serviço, faço mais uma vez esse caminho, nem vejo direito meus filhos, vou pra cama morrendo de cansaço. Se eu não fumar meu cigarrinho, fico louca!
_Sei. E a senhora se alimenta direito?
_ Ah doutor, naquelas... eu tomo um café bem forte antes de sair de casa, que eu deixo pronto antes de me deitar. Eu precisava levar marmita de casa, mas não tenho coragem de preparar comida, tamanho o cansaço, então eu almoço dois salgado e um copo de refrigerante no serviço. Já acostumei. Meus filhos, graças a Deus, almoçam na escola lá do bairro. Eu sei que eu deveria me esforçar mais doutor, não por mim, mas pelos meus dois filhos, mas eu sou uma só doutor, fico morta de cansaço.
_ Você já tentou arrumar outro emprego?
_ Hahaha, não me faça rir doutor! Você acha que uma pessoa com a minha idade, sem estudo, semi-analfabeta, consegue emprego assim fácil? Emprego fácil ta assim pra vocês que têm diploma, é jovem, bonito. Gente velha, feia e ignorante o mercado gospe e pisa em cima.
_ Bom, nesse caso eu vou te passar esse antibiótico, mas você tem que tomá-lo após as refeições. É só retirá-lo no balcão.
_ Obrigada doutor.
Achava seu serviço uma indecência. Desde jovem queria exercer a profissão de médico, clínico geral. Filho da classe média trabalhadora católica, queria ser útil para alguma coisa nesse mundo. Diante desses diálogos que percorriam o seu cotidiano durante o trabalho, percebera a sua inutilidade diante à saúde do próximo, o que entendia ser completamente paradoxal, uma vez que as pessoas lhe confiavam suas vidas, era ele quem havia estudado anos para adquirir as informações exatas para solucionar aquelas doenças. Casos simples de serem resolvidos a partir de uma única forma: os pacientes teriam de mudar suas rotinas.
Era a única certeza que Paulo carregava dentro de si. Para que as pessoas solucionem suas enfermidades, é necessário que elas modifiquem seu cotidiano. Trabalhem menos, principalmente aquelas que exerciam funções repetitivas – a grande maioria – pratiquem atividades físicas que mais lhes agradassem para a liberação de serotonina e alimentação balenceada: cereais, legumes, frutas, verduras e alguma proteína animal. A receita era simples, mas como exercê-la diante de um cotidiano tão opressor? Para garantir todas essas necessidades básicas, a população era obrigada a se submeter a estas situações diárias, e ainda assim não garantiam o básico. Sentia-se podre por dentro, por darem tanto valor à sua profissão de merda, e se encontrar inerte diante dessas situações; além da certeza de se encontrar também enclausurado pelo sistema, já que a única coisa que lhe restava era contribuir para o enriquecimento das monstruosas farmacêuticas ao viciar as pessoas em drogas pesadas apenas para amenizar o problema, e não curá-lo.
Há meses que Paulo já não encontra mais estímulo. Tais situações lhe ocasionaram uma crise de depressão profunda, mas nem percebeu seu próprio problema, tal qual o restante da população. Minutos antes, se encontrava no interior do vagão com a mesma fisionomia dos demais: inexpressivos, movidos mecanicamente devido a mesma via sacra diária. Ao esperar o próximo trem na estação que faria baldiação para retornar ao serviço, num surto que o libertou do mecanismo medíocre que refletia naquele instante, Paulo se jogou na linha do metrô no momento em que o trem chegava para conduzir as formigas operárias paulistanas a seus postos, responsáveis na manutenção do vasto império presente na Avenida Paulista a na maior frota de helicópteros do mundo.
O suicídio de Paulo foi um bafafá na cidade, mas durou pouco tempo. Mesmo a imprensa mais sensacionalista foi terminantemente proibida de apresentar o caso aos seus telespectadores, devido a uma ética em omitir índices de suicídio – prevenção de surtos coletivos; ou gerar a ruína deste modelo de sociedade estratificada. Como não foi noticiado em lugar algum, os boatos logo cessaram, e Paulo se tornou mais um desses índices que fora arquivado, e obrigatoriamente esquecido.
As Aventuras de Latínia - Marta Alves
Esta é a estória de Latínia, uma latinha de molho de tomate muito graciosa que vivia feliz ao lado de muitas coleguinhas numa prateleira de um grande supermercado.
Todas as manhãs um funcionário da loja passava arrumando as prateleiras para que tudo ficasse limpinho e em ordem para que as pessoas pudessem ter uma boa visão dos produtos.O que ninguém desconfiava era a movimentação que as latinhas faziam toda noite quando a loja estava totalmente vazia; elas saíam de seus lugares e iam dar uma voltinha, conversar com as colegas em outras prateleiras e saber das novidades.Pouco antes do raiar do dia todas corriam para seus lugares e lá ficavam como se nada tivesse acontecido, se bem que de vez em quando acontece de uma latinha de molho de tomate perder a hora e ter de ficar bem quietinha no meio das latas de ervilha ou milho verde por exemplo, esperando que alguém as leve para junto de suas colegas.
Ultimamente Latínia tem andado um pouco triste e preocupada com os comentários que tem ouvido pelos corredores; as pessoas não percebem mas ela está bem atenta ao que andam dizendo sobre meio ambiente, poluição, reciclagem.Ela que sempre foi tão orgulhosa de sua bela aparência começou a se questionar sobre qual seria a sua finalidade depois que seu companheiro, o molho de tomate fosse embora, porque ela sabia que isso iria acontecer um dia.
Latínia que sempre foi uma latinha alegre e companheira começou a se isolar das amigas, a se esconder no fundo da prateleira com medo que algum cliente a levasse para casa. Suas amigas não entendiam, pois justo ela que vivia dizendo que não via a hora de sair daquele supermercado para se aventurar por novos lugares e ficava com inveja quando via outras latinhas no carrinho de compras de alguém, fazia mil planos para quando chegasse a sua vez.!
Agora passava as horas pensativa, cabisbaixa, se perguntando o que seria dela no futuro; ela definitivamente não queria fazer mal nenhum a natureza pois isso seria um fim muito triste para qualquer um.
Certa noite Latínia saiu de seu corredor e distraidamente foi caminhando pela loja, quando percebeu já estava no corredor onde ficavam as garrafas de plástico, que segundo diziam não eram muito boa companhia, estavam com a reputação bem abalada...
Meio desconfiada, Latínia ficou meio escondia num canto para melhor observar aquele que era um corredor proibido...Foi então que ela notou um grupinho que conversava animadamente, olhou melhor e viu que faziam parte do grupo: garrafas plásticas, vidros, caixas de papelão, todos muito felizes pois tinham acabado de descobrir que poderiam ser reciclados. RECICLADOS!?! Mas o que é isso? Gritou Latínia, deve ser uma coisa boa pois todos sorriam muito...
Nisso uma garrafa plástica chamou Latínia e começou a explicar o significado daquela nova palavra que causara tanto espanto a todos.
Latínia logo percebeu que a líder do grupo era a garrafa plástica, pois essa era muito falante e segura de si, seu nome era Pet Lola e todos a ouviam com muita atenção.
-Companheiros eu na qualidade de líder desse grupo quero dizer que a situação do planeta está ficando muito perigosa e eu não quero ser a vilã dessa estória, cansei de ouvir e ver imagens horríveis de milhares de companheiras atiradas nos rios, lagos e lagoas causando a destruição e morte dos seres que ali habitam, transformando lindos lugares em paisagens mortas.Por isso convoco a todos: papel, metal, plásticos, vamos nos unir em defesa de nossa reputação!
Nisso Latínia que até então permanecia ouvindo, criou coragem e gritou;
_Hei, mas nós não temos culpa, culpados são os humanos que nos transformam em monstros diante da natureza, e desconfio que vai ser muito difícil mudar o comportamento dessa gente, pois cada dia que passa eles se comportam pior e ainda se dizem racionais...
Nisso uma caixa de papelão que estava atenta a tudo falou;
_Pequena lata, não seja tão pessimista, nós já temos um plano para salvar o planeta...
_Que plano é esse perguntou Latínia
_Estamos convocando um exército de seres especiais, com super poderes de transformação e temos plena certeza que com informação e educação este exército irá tomar conta dessa tarefa e trará de volta a vida e saúde para a terra.
Latínia se espantou;
_Nossa que exército é esse? Vem de outro planeta?
_Não!!! Respondeu Pet Lola...São as crianças, o poder está com elas!
_Ufa que alívio! Respondeu Latinia, agora posso acreditar num futuro legal!
Nisso os primeiros raios de sol começaram a entrar pelas janelas da loja fazendo com que o grupo se despedisse e fosse cada qual para a sua prateleira.Claro que a noite eles voltariam a se encontrar para traçar os planos de ação.
Ao se despedir Pet Lola ainda falou:
_Companheiros, a tarefa não é das mais fáceis, mas com nossos novos aliados e seus super poderes o futuro da natureza está garantido!!.
Todas as manhãs um funcionário da loja passava arrumando as prateleiras para que tudo ficasse limpinho e em ordem para que as pessoas pudessem ter uma boa visão dos produtos.O que ninguém desconfiava era a movimentação que as latinhas faziam toda noite quando a loja estava totalmente vazia; elas saíam de seus lugares e iam dar uma voltinha, conversar com as colegas em outras prateleiras e saber das novidades.Pouco antes do raiar do dia todas corriam para seus lugares e lá ficavam como se nada tivesse acontecido, se bem que de vez em quando acontece de uma latinha de molho de tomate perder a hora e ter de ficar bem quietinha no meio das latas de ervilha ou milho verde por exemplo, esperando que alguém as leve para junto de suas colegas.
Ultimamente Latínia tem andado um pouco triste e preocupada com os comentários que tem ouvido pelos corredores; as pessoas não percebem mas ela está bem atenta ao que andam dizendo sobre meio ambiente, poluição, reciclagem.Ela que sempre foi tão orgulhosa de sua bela aparência começou a se questionar sobre qual seria a sua finalidade depois que seu companheiro, o molho de tomate fosse embora, porque ela sabia que isso iria acontecer um dia.
Latínia que sempre foi uma latinha alegre e companheira começou a se isolar das amigas, a se esconder no fundo da prateleira com medo que algum cliente a levasse para casa. Suas amigas não entendiam, pois justo ela que vivia dizendo que não via a hora de sair daquele supermercado para se aventurar por novos lugares e ficava com inveja quando via outras latinhas no carrinho de compras de alguém, fazia mil planos para quando chegasse a sua vez.!
Agora passava as horas pensativa, cabisbaixa, se perguntando o que seria dela no futuro; ela definitivamente não queria fazer mal nenhum a natureza pois isso seria um fim muito triste para qualquer um.
Certa noite Latínia saiu de seu corredor e distraidamente foi caminhando pela loja, quando percebeu já estava no corredor onde ficavam as garrafas de plástico, que segundo diziam não eram muito boa companhia, estavam com a reputação bem abalada...
Meio desconfiada, Latínia ficou meio escondia num canto para melhor observar aquele que era um corredor proibido...Foi então que ela notou um grupinho que conversava animadamente, olhou melhor e viu que faziam parte do grupo: garrafas plásticas, vidros, caixas de papelão, todos muito felizes pois tinham acabado de descobrir que poderiam ser reciclados. RECICLADOS!?! Mas o que é isso? Gritou Latínia, deve ser uma coisa boa pois todos sorriam muito...
Nisso uma garrafa plástica chamou Latínia e começou a explicar o significado daquela nova palavra que causara tanto espanto a todos.
Latínia logo percebeu que a líder do grupo era a garrafa plástica, pois essa era muito falante e segura de si, seu nome era Pet Lola e todos a ouviam com muita atenção.
-Companheiros eu na qualidade de líder desse grupo quero dizer que a situação do planeta está ficando muito perigosa e eu não quero ser a vilã dessa estória, cansei de ouvir e ver imagens horríveis de milhares de companheiras atiradas nos rios, lagos e lagoas causando a destruição e morte dos seres que ali habitam, transformando lindos lugares em paisagens mortas.Por isso convoco a todos: papel, metal, plásticos, vamos nos unir em defesa de nossa reputação!
Nisso Latínia que até então permanecia ouvindo, criou coragem e gritou;
_Hei, mas nós não temos culpa, culpados são os humanos que nos transformam em monstros diante da natureza, e desconfio que vai ser muito difícil mudar o comportamento dessa gente, pois cada dia que passa eles se comportam pior e ainda se dizem racionais...
Nisso uma caixa de papelão que estava atenta a tudo falou;
_Pequena lata, não seja tão pessimista, nós já temos um plano para salvar o planeta...
_Que plano é esse perguntou Latínia
_Estamos convocando um exército de seres especiais, com super poderes de transformação e temos plena certeza que com informação e educação este exército irá tomar conta dessa tarefa e trará de volta a vida e saúde para a terra.
Latínia se espantou;
_Nossa que exército é esse? Vem de outro planeta?
_Não!!! Respondeu Pet Lola...São as crianças, o poder está com elas!
_Ufa que alívio! Respondeu Latinia, agora posso acreditar num futuro legal!
Nisso os primeiros raios de sol começaram a entrar pelas janelas da loja fazendo com que o grupo se despedisse e fosse cada qual para a sua prateleira.Claro que a noite eles voltariam a se encontrar para traçar os planos de ação.
Ao se despedir Pet Lola ainda falou:
_Companheiros, a tarefa não é das mais fáceis, mas com nossos novos aliados e seus super poderes o futuro da natureza está garantido!!.
Vozes - Rosângela Ampúdia
Como é importante ter voz!
Voz Ativa!
Voz Passiva? ...
Ás vezes.
Voz marcante ...
Voz de voto.
A sua voz!
E a minha voz?
Onde está?
Por que me faltou?
Não é só a ela que busco.
Busco vozes do passado.
Da mãe que se foi ...
Do pai que não mais tenho.
Busco sua voz...
Quero entender porque vozes povoam o mundo de quem foge delas.
Por que não povoam o meu que as busco tanto?
Onde está a minha voz?
Onde está você?
Atrás da sua?
Não consigo ouvir ...
Do pai ...
Da mãe ...
A minha ...
Vozes do meu presente!
Não fujam de mim!
Não se calem nunca!
Não me deixem esquecê-las!
Não quero deixar de ouvi-las!
Voz Ativa!
Voz Passiva? ...
Ás vezes.
Voz marcante ...
Voz de voto.
A sua voz!
E a minha voz?
Onde está?
Por que me faltou?
Não é só a ela que busco.
Busco vozes do passado.
Da mãe que se foi ...
Do pai que não mais tenho.
Busco sua voz...
Quero entender porque vozes povoam o mundo de quem foge delas.
Por que não povoam o meu que as busco tanto?
Onde está a minha voz?
Onde está você?
Atrás da sua?
Não consigo ouvir ...
Do pai ...
Da mãe ...
A minha ...
Vozes do meu presente!
Não fujam de mim!
Não se calem nunca!
Não me deixem esquecê-las!
Não quero deixar de ouvi-las!
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