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sábado, 20 de novembro de 2010

Ladainha dos Quilombos - Léo Lopes

Iê!
Nos ensinaram que o negro sempre foi humilhado
Que aceitou a escravidão, ora meu bem, de bom agrado...
Que esperou pela princesa pra libertá-lo dos grilhões
Nunca tendo força própria, nunca tendo opinião....

Tanta mentira, tanta farsa,
Pra apagar da consciência
Que liberdade não se ganha,
Não se mendiga esperança!

Viva a Capoeira Angola
Que nos faz abrir os olhos, manter viva a memória!
Das lutas dessa negada,
Dessa negada história!

Viva Conjuração Baiana, viva a Revolta dos Malês!
Canudos, a Cabanagem, Quilombos e quilombolas!
Viva o quilombo de Palmares, Maracanã, Macajubá
Buraco do Tatu, Xique-xique e Muritiba!
Quilombo Turiaçu, Preto Cosme, Campo Grande,
Brotas, Cafundó, Ambrósio e Caçandoquinha!
Viva o Quilombo de Campinas, Piracicaba e Atibaia
A Resistência segue viva
Em quem tá junto na batalha... Camarada...
A Resistência!
Iê! A resistência! Camarada!
Iê! Povo do Gueto!
Iê! Povo do gueto, camarada!
Iê! Periferia!
Iê! Periferia, camarada!
Iê! Da volta ao mundo!
Iê! Da volta ao mundo, camarada!
Iê! Que o mundo deu!
Iê! Que o mundo deu, camarada!
Iê! Que o mundo dá!
Iê! Que o mundo dá, camarada....

20 de novembro - Poeta LAVS

Fomos obrigados a sair
Nós saímos
E conquistamos o mundo
Fugimos
Mas fomos capturados
Corremos
E lutamos até hoje pela liberdade
Que foi tirada há muito tempo
Nosso povo foi escravizado
E quando acaba a escravidão

Continuamos escravizados pelos preconceitos
E muitas pessoas nos consideram ‘ladrões’
Isso é o preconceito
Que tentamos esquecer
E lutamos para que não exista
E consigamos viver em paz
Neste mundo dividido
por raças, crenças e religiões
Todos temos que viver em paz
E esquecermos o preconceito racial
e social que existe em nossos corações.

Neguinha Maluca - Rosângela Andorinha

Que maluquice
Esse seu olhar de jaboticaba madura!
Maluquice maior essas suas falas!
Sua maluquinha!

Ah! neguinha ...
"Tô veno" bem seu jeitinho ...
jeitinho maluquinho de ser
E tem que ser
maluquinha!
E tem que ser neguinha!

Ah! neguinha briguenta!

Briga mesmo, neguinha!
Briga por nós!
Por nossos filhos!
Por nossa cor,
pelo amor.
Sua maluquinha!
Minha neguinha!
Neguinha maluquinha!
Sem medo de ser feliz!


Homenagem à uma amiga

Sensibilidade - Lukinha



‘Eles fizeram de sua história alegria para o mundo’
Frase e desenho elaboradas por um adolescente em atividade de arte educação relacionada ao tema da Consciência Negra.


Lukinha
(Interno da Fundação Casa)

Nota de Escurecimento - de César Gomes*

* Rede Nacional de Negras e Negros LGBTT

Xs espertalhões arianxs sob interesses escusos vão sempre defender que no Brasil não há racismo enquanto negrxs e afrobrasileirxs que economicamente conseguiram um pseudo status de poder social comungão da mesma filosofia. Ambxs vão ofertar sorrisos amarelos para mascarar o desprezo e opressão cotidiana.
No campo das idéias há uma democracia racial forçadamente respeitosa. Basta cada um olhar para o seu entorno e perceber onde x negrx está colocadx; na base da pirâmide alvo constante principalmente das corporações fardadas (GMs e PMs) que já nem fazem questão de esconder sob sua ótica qual é o perfil dx "SUSPEITX" neste país: NEGRXS.
Oficialmente o governo assume que existe sim racismo no país quando cria a SEPPIR com status de ministério. Ora, se não há racismo não precisa de uma secretaria especial para combatê-lo, certo!?
O xis da questão é que a ciência faz uma nota de escurecimento: A vida se originou no continente africano, logo, o sangue africano se espalhou para outros continentes.
Com ou sem ministério não há mistério; por mais que queiram esclarecer estamos aqui para escurecer o país que ajudamos a construir.

De pernas pro ar - Josiane da Silva

O livro De pernas pro ar - Recontando a nossa História, faz parte do projeto “Pratique Capoeira”, tem como objetivo, difundir a capoeira junto à comunidade escolar. Totalmente ilustrado, o livro narra história da Capoeira para o público infantil.
Surgida nos tempos da escravidão, a arte que ganhou o mundo e hoje é praticada em mais de 150 países, a capoeira desenvolve nas crianças a coordenação motora, flexibilidade, ritmo e expressão corporal, com enfoque nas relações de amizade e respeito ao próximo.
O livro será utilizado para atividades em sala de aula, nas escolas de forma integrada com os educadores abordando aspectos físicos, históricos, culturais e de valores. O trabalho a ser desenvolvido em cada comunidade escolar propõe a realização de oficinas, palestras e a distribuição gratuita do livro “De Pernas pro Ar – Recontando a nossa história”.


Histórico do Quilombo Brotas - José Roberto Barbosa

“Pra tudo que tiver meu sangue terá um lugar pra morar.”
Isaac Modesto de Lima.




No século XIX as ações de quilombagem foram freqüentes em Itatiba. Há relatos inscritos de ações de índios e “negros fujões” que remontam a década de 40 daquele século. O lugar onde hoje vive a comunidade do Quilombo Brotas faz parte de um território maior (informalmente conhecido como “Bairro Brotas”) que na época servia como entreposto nas rotas de fugas da escravidão. Pessoas vindas de Jundiaí, Campinas, Vinhedo, Valinhos e do próprio município. Fala-se de um negro conhecido apenas como “Negro Brotas”, um comerciante português (proprietário do terreno) chamado Francisco José Rodrigues e sua esposa a índia Rita Rodrigues. Os três auxiliavam os negros. Alguns ficavam apenas um tempo outros permaneciam no local. Em 1882 houve uma tentativa frustrada, por parte do governo, da então província de acabar com o quilombo.
Em 1888 com o fim oficial da escravidão os antigos quilombolas se dispersarão e o então proprietário Juvenal Passos Rodrigues começou a vender a propriedade em pedaços. A parte da onde ficava o barracão onde viviam os quilombolas foi vendido a um casal de negros (que haviam conquistado sua liberdade antes da abolição) que aparentemente faziam parte das redes que auxiliam nas fugas de escravizados. Junto com seus filhos se mudaram para aquelas terras, levando cerca de sete anos para terminar se comprá-la. Além de o local servir de palco de diversas festas, muitas pessoas em situações difíceis foram auxiliadas pelos moradores da comunidade.
Atualmente muitos dos descendentes do casal ainda vivem na comunidade, compondo sua maioria. Mais de uma vez a comunidade viu seu direito a terra ameaçado. Na década de 50 houve necessidade de uma grande mobilização da família para não perder as terras por conta de impostos. Em um passado não tão remoto houve até quem tentou transformar o local em deposito de lixo hospitalar. Atualmente o quilombo Brotas é Conhecido como o primeiro quilombo urbano reconhecido.

Mucama do Cambuí - Larissa Lisboa

A Mucama do Cambuí
É tão branca que nunca vi
Tem dinheiro no bolso
Mas não quer repartir

A Mucama do Cambuí
Fingi que gosta de socializar
Está sempre pronta pra tagarelar
Mas vira a cara pro City Bar

A Mucama do Cambuí
Faz bronzeamento na Capital
Alisa o belo e se acha a tal
Mas fica tão feia que é de rir

A Mucama do Cambuí
Não é a mesma que a daqui...

Branqueou a avenida
Tentou sambar
Mas caiu do salto
Tombou na cor

A Mucama do Cambuí
Era tão negra que sempre vi
E mesmo sem dinheiro no bolso
Tinha sempre o que repartir

A Mucama do Cambuí
Não fingia socializar
Estava sempre pronta pra trabalhar
Lavando banheiro sujo do City Bar

A Mucama do Cambuí
Tinha um bronzeamento natural
Não escondia a raça e era cabal
Ficando tão bela que eu nunca vi

Mucama de hoje, te digo:
O Cambuí
já foi o Haiti
Mas hoje
Não tem mais saci
Tombou na cor

A mucama
de ontem
No hoje
Manca

E não produz?

Por detrás dos restaurantes
Nas cozinhas sujas
Nos banheiros usados
Limpando a merda
Que você mesmo produz!

Merda não, cocô!

Desculpe o jeito
Mas é o único perfeito
Pra gritar o meu desejo
De cuspir na sua cara
E sambar na madrugada

Mas a City Banda só toca de dia...
Aqui não é o Rio de Janeiro, esqueceu?

Ih, é mesmo!
Esqueci que exploraram o carnaval
E aqui o samba é seu rival

Vamos ouvir a sinfônica no Cambuí
E deixar de falar desse Zumbi!

Mas não é o mesmo repertório de todos os anos?

De ano em ano
a galinha enche o saco!

É papo!

Nele também cabe...

Não!
É a verba!
Releva!
Eles não são culpados
Todos devem ser coroados
Dentro da cultura brasileira!

Mas enquanto o rei leva a coroa
Seus súditos são coronhados
Marretas, armas e estiletes
Desgraça armada

Uma luta coletiva para manter um museu vivo e popular - Movimento MIS no Palácio

O Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS-Campinas) é um dos poucos espaços públicos da cidade em que ocorre apropriação direta da população. Os ciclos de cinema, mostras de vídeo, exposições de fotografia e audições musicais são realizados e organizados pelos próprios usuários. Além disso, no museu ainda ocorrem oficinas e cursos de Filosofia, cinema, fotografia e também a possibilidade de freqüentar um ateliê de pintura e laboratórios coletivos de artes corporais, teatro e dança, gratuitamente e sem burocracia.
O MIS fica no centro de Campinas, no Palácio dos Azulejos, um antigo e belo casarão, com arquitetura histórica, que pertenceu a um barão da cidade. Mas, pelo fato de ser uma construção antiga e, principalmente, por completa ausência de investimento por parte da prefeitura, está com seu acervo e sua estrutura bastante ameaçados. O prédio não teve seu restauro terminado e os muitos problemas, como portas danificadas pelo tempo e telhado com vazamento, estão ameaçando seu riquíssimo acervo musical, fotográfico, e audiovisual.
Como se tudo isso não bastasse, em agosto, tanto os funcionários do MIS, quanto os coletivos de artistas, freqüentadores, militantes e educadores foram pegos de surpresa por uma matéria no jornal, na qual se dizia que o MIS seria transferido para a Estação Cultura. O Palácio dos Azulejos, sob a falsa alegação de retomada do projeto do ex-prefeito Toninho, daria lugar a cerimoniais executivos da Prefeitura.
Imediatamente, para impedir que o MIS seja transferido, os vários grupos atuantes no MIS e simpatizantes se reuniram e começaram a mobilizar um grande movimento de luta, que é o “Movimento MIS no Palácio”. Até agora foram diversas reuniões, ações de intervenção (culturais, políticas, midiáticas) e quase duas mil assinaturas com abaixo-asssinados exigindo a permanência do MIS no Palácio que continua em circulação via net. Estivemos no comício do PT, antes do primeiro turno das eleições, no Largo do Rosário, com faixas de protesto e abaixo-assinados. Na manhã do sábado de 25/09, os coletivos que atuam no MIS, freqüentadores, artistas e militantes fizemos uma bela passeata pela rua 13 de maio ao som dos tambores de Maracatu dos grupos Maracatucá e da Escola de Capoeira Angola Resistência. A passeata terminou no MIS e, pela tarde foram realizadas várias oficinas artísticas e culturais, em que muitas pessoas puderam conviver e aprender um pouco mais sobre cinema, quadrinhos, fotografia e pintura, no evento que durou a tarde inteira nas salas do Museu. No dia seguinte, saiu uma matéria no jornal Correio Popular sobre a passeata.
Recentemente, em outubro, o movimento participou da reunião do Fórum Municipal de Cultura, com a presença do diretor de cultura de Campinas, Vinicius Gratti.
Os integrantes do Movimento MIS no Palácio eram quase a metade dos presentes e foram os únicos a levar propostas organizadas, com um documento escrito que abrangia não apenas seus interesses, mas também os da cultura de Campinas como um todo, exigindo, por exemplo, que seja descriminalizada a manifestação artística nos locais públicos de Campinas. Nesta reunião, o diretor de Cultura de Campinas respondeu aos questionamentos do Movimento e disse que o MIS não sairá do Palácio dos Azulejos. Apesar da declaração, inclusive registrada em vídeo, o Movimento continua aguardando uma resposta do prefeito Hélio e solicitou uma audiência pública com ele e o secretário de cultura.
As intervenções e propostas do Movimento MIS no Palácio têm o objetivo de manter o MIS no Palácio dos Azulejos, buscar investimentos para a sua reforma estrutural, abrir vias para uma dotação orçamentária mais ampla, para que o museu possa desenvolver de maneira mais satisfatória todo o seu potencial artístico e cultural, mantendo a sua característica de gestão popular e democrática, além de unir forças com outros grupos culturais para reavivar a movimentação cultural e artística de Campinas como um todo. Porque cultura não é só arraial, natal e carnaval, é política cultural através do fortalecimento dos espaços permanentes de formação e de trocas.

Quem quiser apoiar este movimento, pode assinar o abaixo assinado pelo site www.miscampinas.com.br e vir propôr atividades culturais-artísticas no MIS.

Aborto - João da Silva

Arte Negra - Jesus Barbosa




Agradecimentos da Articulação





O jornal comunitário A VOZ DO GUETO nasceu com o objetivo de oferecer oportunidades de falar e de ser ouvido.
A proposta veio para ficar junto à comunidade da cultura popular que pouco tem seu espaço, como foi dito de maneira poética na primeira edição. A semente que foi plantada em 2008, começou a dar seu primeiro brotinho em 2010, com o patrocínio da Escola de Capoeira Angola Resistência, que financiou na sua simplicidade de ser, as duas primeiras publicações. Agradecemos ao Contra-Mestre Topete, que acreditou na idéia, oferecendo as condições materiais para a iniciativa dar seus primeiros passos.

Gabriela Pardim